Seu carrinho está vazio no momento!
-
Nicolas Abraham e Maria Torok, autores influentes no campo da Psicanálise, trouxeram uma contribuição fundamental para a Psicogenealogia, com a obra: A Casca e o Núcleo, onde exploram o inconsciente; desenvolvendo conceitos utilizados, até hoje, tais como os conceitos da cripta, da transgeracionalidade e do fantasma transgeracional.
Para Abraham e Torok, muitas vezes, os conteúdos não resolvidos se manifestam, na vida dos descendentes, de forma enigmática, por meio de sintomas, de comportamentos e de emoções inexplicáveis que são herdados e carregados, sem que se tenha a consciência de sua origem. O “fantasma” é uma forma de legado psíquico que pulsa, para ser compreendido; quase como um pedido de socorro, vindo da alma familiar.
O conceito de “cripta”, introduzido por Abraham e Torok, revela uma dimensão ainda mais profunda dessa transmissão: a cripta é um “túmulo psíquico”, uma espécie de câmara secreta, onde, para ocultar, o indivíduo abriga, inconscientemente, aquilo que não pôde ser compartilhado ou processado pela geração anterior. Esse espaço oculto dentro da psique funciona como um depositário dos não-ditos e das dores inconfessáveis dos antepassados, mantendo os conteúdos intocados e, muitas vezes, distantes da consciência do indivíduo; porém, pulsantes e vívidos na mente consciente.
Esse entendimento transdisciplinar sobre a psique evidencia como as experiências de uma geração são, deliberadamente, “guardadas” nas criptas dos descendentes, esperando, de certo modo, por reconhecimento e por expressão. Ao nos oferecerem esses conceitos, Abraham e Torok nos convidam à escavação dos silêncios e das criptas transgeracionais, revelando a importância de trazer, à luz, as memórias enterradas, a fim de que alcancemos a integração; liberando, assim, as gerações de um legado invisível que tende a perpetuar-se, até que alguém abra a Caixa de Pandora.